Couro sintético não é ecológico: entenda o porquê!

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Couro sintético não é ecológico: entenda o porquê!

Com o aquecimento global, o mundo inteiro começou a rever os seus hábitos de consumo. Agora, muitas pessoas reduzem as suas compras por impulso e, até mesmo, preferem adquirir os chamados “produtos sustentáveis”, ou seja, que aparentemente não prejudicam o meio ambiente. Nessa lista, o couro sintético é o que mais se destaca. 

Presente na confecção de roupas, calçados, acessórios e estofados, o material atrai a atenção do público. Porém, você sabia que, na verdade, essa opção não é nada sustentável? Ao longo de sua fabricação, são utilizados diversos componentes nada benéficos para o planeta. Ele também demora para se decompor, gerando mais lixo e poluição. 

Assim, se você deseja seguir práticas mais conscientes, este é um ótimo momento para começar. Para se atualizar, continue com a gente neste artigo especial e descubra todos os detalhes sobre o couro sintético!

Afinal, o que é o couro sintético?

“Eco”, “faux”, “courino” e “vegan” — existem várias denominações para o couro sintético. Nos últimos anos, ele se popularizou bastante, especialmente entre aqueles que desejam seguir um lifestyle mais consciente. 

Tal opção é conhecida por não utilizar matéria-prima animal. Ela ainda é bem mais acessível e conta com processos de produção variados.

Mas afinal, será que você sabe em que consiste o couro sintético? Para entender melhor, precisamos falar sobre os materiais que o compõem. Abaixo, listamos os principais.

Poliuretano 

Também chamado de PU, esse componente é o mais comum na fabricação do couro sintético — especialmente quando falamos sobre roupas.

Por ter um valor de mercado mais baixo, ele também costuma ser combinado com diferentes materiais considerados ecológicos, o que colabora para a fama equivocada de que o couro sintético seja sustentável. 

Polipropileno 

Esse composto é muito aplicado na confecção de bolsas e acessórios em couro sintético. Isso porque o material apresenta boa elasticidade e flexibilidade. Ele também conta com uma resistência mais alta, mas ainda inferior em relação à matéria-prima original. 

Polivinílico

Os compostos utilizados são muito parecidos com o vinil — detalhe esse que serve para obter texturas diferenciadas e originais. De qualquer modo, essa opção ainda é pouco presente em produções de grande porte.

Por que o couro sintético não é sustentável?

Com o movimento de conscientização que tomou conta de todo o planeta, muitos consumidores passaram a adotar o couro sintético como uma solução para dispensar o uso da pele de animal. Por esse motivo, o material se popularizou como sendo “ecologicamente correto”. 

Porém, não é bem assim. Como mencionamos logo acima, existem três matérias-primas artificiais que são amplamente usadas na produção dessas peças — o poliuretano, o polipropileno e o polivinílico. O que poucos sabem é que tais opções são derivadas de petróleo. Ou seja, nada ecológicas. 

De forma incorreta, os consumidores adquirem essas peças, pois, por não serem confeccionadas a partir do sacrifício de animais, parecem estar em perfeita sintonia com a natureza. Não caia nessa!

Inclusive, um detalhe constantemente ignorado é que essas opções têm mais desvantagens do que vantagens. São elas:

  • são poluentes: durante o processo de fabricação, são utilizados diversos químicos. Posteriormente, eles emitem quantidades elevadíssimas de CO², colaborando — e muito — para a poluição do planeta; 

  • duram menos: a sua vida útil é significativamente menor, quando comparada à do couro legítimo. Com o tempo, o material também pode apresentar rachaduras e descamações, especialmente quando exposto ao sol;

  • não se decompõem facilmente: o couro sintético pode levar mais de 100 anos para se decompor na natureza. Com isso, um artigo descartado é capaz de contaminar o meio ambiente com os chamados microplásticos — componentes invisíveis que atualmente são encontrados em oceanos, rios e no sistema digestivo de muitos animais.

Couro sintético

Então, o que é o couro ecológico?

Na prática, o conceito de couro ecológico é muito amplo. De qualquer modo, podemos resumir a ideia como os materiais obtidos a partir da pele dos animais, mas que contam com um processo de fabricação focado em diminuir os impactos ambientais — desde as etapas iniciais de produção até o descarte.

Vale destacar que, no Brasil, a Lei 4.888, de 1965, proíbe o uso do termo “couro” para ser associado aos artigos que não são confeccionados com pele animal. Isso significa que o couro sintético tampouco pode ser denominado como “couro”. 

Um ponto interessantíssimo é que as versões ecológicas também podem ser alcançadas por meio da reciclagem. Sabe aquela jaqueta antiga? Ou, então, aquele estofado que não tem mais serventia? Por ser um material muito resistente, o couro legítimo pode ser reaproveitado e transformado em uma nova peça. 

De acordo com especialistas, o couro original é, inclusive, uma fonte natural. Logo, ele se encaixa tranquilamente na lista de produtos considerados ecologicamente corretos.

Fora isso, vale destacar que esse material pode ser obtido por meio de recursos de energias renováveis que se reabastecem muito mais rápido do que os métodos tradicionais.

Espia só mais algumas vantagens:

  • trata-se de um material nobre, o que confere exclusividade aos artigos fabricados com ele; 

  • é impermeável, pois não permite que líquidos penetrem em sua superfície;

  • possui excelente firmeza e resistência; 

  • é de fácil limpeza e manutenção

  • tem alta durabilidade.

E o couro vegano?

Ainda que o couro legítimo, em muitos casos, possa ser considerado ecológico, é necessário ressaltar que ele não é vegano. Para quem busca uma opção sustentável e livre da exploração animal, a solução é o piñatext — o couro de abacaxi. 

Criado pela designer Carmen Hijosa, o material é produzido a partir das folhas e do caule da fruta. Essa é uma solução não somente vegana, como também 100% biodegradável e muito usada nos setores de decoração e moda. 

Viu só? Com essa leitura completa, esperamos que você tenha entendido que o couro sintético que costumamos ver por aí, na verdade, não é nada ecológico. Desse modo, ficará mais fácil tomar atitudes conscientes e reduzir os danos causados ao meio ambiente. 

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